Um corpo morto estendido na praça,
alguém conhecido, que passava perto de todos, sem nada pedir, sem representar perigo iminente, lembrado pelo riso farto e o olhar lançado ao nada, este era Nelson José da Silva de 58 anos, um dos muitos seres anônimos que transitam por aí, mas com uma diferença, ele tinha para onde ir aos fins dos dias.
A história deste homem começou a habitar os labirintos da loucura quando contava 25 anos, no início sua família fez de tudo para mudar sua sorte, as autoridades do município foram procuradas para que o mal fosse detido ou diminuindo, porém nada foi feito de concreto, ele, um funcionário da Açúcar União, não pode usufruir de nenhum benefício social e sua mãe tentou, em vão, conseguir sua aposentadoria perseguindo o benefício até antes de sua morte, seu pai e sua mãe deixaram o mundo dos vivos e o filho perdeu a sensatez da sanidade mental.
Na quinta-feira, 23, pela manhã Nelson habitou pela ultima vez o mundo dos vivos, ele perdeu a vida no local onde mais era visto, nas ruas, seu corpo ficou estático ao lado do Camelôdromo foi recolhido pelo serviço da prefeitura e encaminhado ao IML onde constatou-se que o motivo de sua morte foi insuficiência cardíaca. No velório, feito no mesmo dia da morte, seus familiares, o pastor da Igreja Nações para Cristo e alguns irmãos, menos de dez pessoas, eles o acompanharam até a ultima habitação do corpo e se despediram pra sempre daquele que passou mais da metade de seus dias num mundo paralelo, sem apoio de ninguém além de sua família e de milhares de anônimos que lhe davam algum alimento ou cigarros para seu permanente vício.
Assim partiu Nelson, alguém?
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